Não querendo acabar como o gato que foi morto pela curiosidade, acredito que todos temos um pouco de voyeur. Não o voyeurismo como parafilia. Não, não é disso que se trata. Acredito que já nos tempos pré-históricos o Homem queria saber se a lança do vizinho seria maior que a sua, ou se a sua fogueira aquecia mais. Basicamente, saber se a galinha do vizinho seria realmente melhor que a dele.
Por muito que o estimado leitor queira esgrimir argumentos em contrário, continuamos a ser assim. Está-nos no sangue, na maneira em que a vida nos fez. Somos sempre comparados e comparáveis, e isso faz-nos querer saber de tudo, e de todos. E o saber tudo implica querer entrar na privacidade das pessoas, saber o que fazem, como o fazem.
Que farão as pessoas na sua solidão caseira? Entregar-se-ão a prazeres solitários? Será da mesma forma? O sexo será mais apaixonado? Será selvagem e desenfreado como gostaríamos que fosse?
E se pudéssemos partilhar? E se tivéssemos alguém com quer partilhar ou falar sobre isto da mesma forma com que se partilha uma receita ou um truque para tirar nódoas difíceis?
Aí é que a porca torce o rabo... Dirá o estimado leitor que a nossa liberdade de querer saber termina na privacidade da outra pessoa. Direi eu que a nossa liberdade, e a vontade que, quiça, a outra pessoa tem de partilhar, acabam precisamente onde o tabu começa. Há coisas que simplesmente não se falam. Há coisas que nem em casa se falam, quanto mais fora dela. Por muito liberto ou libertino que o Homem queira ser, vai existir sempre o tabu, e isso, caro leitor, será sempre o peso que inclina a balança nem sempre para o lado que queremos.
A não ser, claro, que tenhamos uma balança eletrónica. Essa pesará sempre apenas o que quisermos colocar no prato. Sem rótulos nem tabus.
(*) Elton John in Voyeur
Por muito que o estimado leitor queira esgrimir argumentos em contrário, continuamos a ser assim. Está-nos no sangue, na maneira em que a vida nos fez. Somos sempre comparados e comparáveis, e isso faz-nos querer saber de tudo, e de todos. E o saber tudo implica querer entrar na privacidade das pessoas, saber o que fazem, como o fazem.
Que farão as pessoas na sua solidão caseira? Entregar-se-ão a prazeres solitários? Será da mesma forma? O sexo será mais apaixonado? Será selvagem e desenfreado como gostaríamos que fosse?
E se pudéssemos partilhar? E se tivéssemos alguém com quer partilhar ou falar sobre isto da mesma forma com que se partilha uma receita ou um truque para tirar nódoas difíceis?
Aí é que a porca torce o rabo... Dirá o estimado leitor que a nossa liberdade de querer saber termina na privacidade da outra pessoa. Direi eu que a nossa liberdade, e a vontade que, quiça, a outra pessoa tem de partilhar, acabam precisamente onde o tabu começa. Há coisas que simplesmente não se falam. Há coisas que nem em casa se falam, quanto mais fora dela. Por muito liberto ou libertino que o Homem queira ser, vai existir sempre o tabu, e isso, caro leitor, será sempre o peso que inclina a balança nem sempre para o lado que queremos.
A não ser, claro, que tenhamos uma balança eletrónica. Essa pesará sempre apenas o que quisermos colocar no prato. Sem rótulos nem tabus.
(*) Elton John in Voyeur
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