O Outono chegou, não restam dúvidas, o Verão poderá ainda fazer uma ou outra tentativa de resistência mas, forças maiores não serão modestas nem comedidas e o Verão do nosso contentamento reduzir-se-á à sua (já) insignificância.
De há uns tempos para cá comecei a notar que me chateia cada vez mais o tempo de Inverno, não é a chuva, é o tempo invernoso que nos torna latentes, que nos aborrece e acinzenta a alma. Que nos torna pesados em roupagem, em cor e em vontade.
Mas, não nos adiantemos, é Outono, o vermelho acastanha-se e o amarelo doura-se, é bonito. A perfeita nostalgia instala-se, é forte o poder das cores sobre as emoções. E como que para nos agradar e compensar pelo que se segue, oferece-nos o cheiro da terra molhada e as castanhas assadas.
O Outono é como a Primavera, traz uma purificação intrínseca, vem lavar a intensidade, vem limpar o ar, vem revolver o solo para preparar um novo ciclo, as folhas vão tapar e aconchegar as sementes para a noite de Inverno. Na Primavera esta camas protetoras transformadas em nutriente puro, darão o balanço para a explosão de vida que se seguirá.
Mas o Verão, esse já está, desengane-se quem pensa que isto é só show-off, S. Pedro já colocou a visto na lista, tarefa cumprida.
O tempo mudou e veio para ficar, não é visita rápida. No Séc. XIX já se dizia nestes casos para a visita ir tirar o cavalo da chuva porque o assunto era demorado.
Eu já tirei o meu!






