terça-feira, 30 de outubro de 2012

"I'm bringin' it down this hammer i've got" (*)

Um bloqueio de escrita levou a escrever sobre isso mesmo.  Parece um muro que impede que as ideias circulam para jusante.  
Parece que todos estamos formatados para isso.  Um muro é um bloqueio, uma divisória, um impedimento, fisíco ou não.  Quantas vezes tivémos muros na mente que nos impediram de fazer determinadas coisas.  Impomos os limites com muros, ainda que a altura varie...
Coisa estranha esta.  Mas depois pensei, porque raio um muro tem de ser um bloqueio?  Lá está o bloqueio que transforma em tacanha a mente humana.  O muro de Berlim foi em tempos um bloqueio, transformado mais tarde num símbolo da queda de uma ideologia política.  Sempre se associou a queda do comunismo à queda do muro. The Wall, por exemplo, é um dos mais conhecidos álbuns dos Pink Floyd e, inclusivé uma ópera rock escrita por Roger Waters.  Pode também ser uma tela onde, com mais ou menos mestria, se faz street art, ou até onde se pintavam autênticos murais revolucionários.  
Uma nota para o estimado leitor: a linha que separa o grafitti da street art mede-se pela frase que é proferida.  Olha que fixe que está, é street art e olha que bela merda, é graffiti de subúrbio.  Pai, o que é a APU e quem é o Cunhal, não é mais que um muro que não vê tinta há seguramente 25 anos...
Que seria dos milhões de judeus sem muro das lamentações?  Que seria de Lewis Carrol se não houvesse um muro para Humpty-Dumpty? 
Até um dos dos grandes mitos da vox populi tem um muro.  Diz-se que se consegue ver da Lua a grande muralha da China.  Ora, se até um astronauta chinês já confirmou que não se vê da ISS, muito menos se verá do satélite natural.  Mas não interessa, fica o mito.  Com um muro.

(*) in Bringin' it Down, Judge

1 comentário:

  1. Gosto de pensar que os muros existem para ser deitados abaixo...se bem que há alguns que são dificeis... :)

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