Em 1952 Gene Kelly filmava essa tão famosa cena que dá o nome ao filme, em que canta e dança debaixo de um violento temporal capaz de atirar para a cama o comum dos mortais mais incautos. Dez anos antes, n'O Páteo das Cantigas, já os portugueses eram os pioneiros em cenas de rua com Vasco Santana a dirigir-se para casa com um bebedeira, também ela, capaz de atirar para a cama o comum dos mortais mais incautos...
E perguntará o estimado leitor o que têm em comum estes dois filmes feitos em condições e décadas completamente diferentes. Pois é muito simples. Uma análise atenta fará saltar à vista o elemento comum às duas cenas (além da rua): um candeeiro de iluminação pública! Teriam estas duas cenas o mesmo impacto sem um candeeiro? Se calhar não. Da mesma forma que podemos nem dar conta dele, mas é o nosso companheiro de viagem pela noite. Podemos achar que estamos sozinhos, mas tal qual naquela alameda ladeava de deuses que ladeava a entrada de Gizé, somos acompanhados por estes guardiões de ferro. Firmes e hirtos. Mas nada frios...
(*) in Downtown, Petula Clark



