Red tape, lápis azul, Miguel Relvas. A censura sempre teve cores, no caso de Relvas é Cinzento Burro. Pode não ser a mais apelativa das cores, mas é a que serve. Sempre se falou na censura como uma entidade maléfica, qualquer coisa como uns óculos para quem não precisa de os ter: continua-se a ver, não se sabe é bem o quê.
Um dia destes descobri que a censura pode ser profilática. Aliás, depois de a ver por este prisma estou convencido que é usada mais por profilaxia do que por remédio. Quando se diz a alguém que não devia escrever isto ou dizer aquilo, porque isso poderá causar mal estar a alguém, estamos, ainda que indiretamente, a censurar a liberdade de expressão de terceiros. E fazêmo-lo porquê? Para evitar problemas ou constrangimentos, para evitar que alguém fique aborrecido. Não estamos a opinar ou a aconselhar, estamos a censurar, não vale a pena tentar encontrar um nome simpático. É, de certa forma, a ténue linha que separa o mentir do omitir. Omite-se para ser profilático, ás vezes mente-se pela mesma razão.
Pode o estimado leitor alegar que a censura nos regimes totalitários não tem nada de profilático. Permitam-me discordar. Por muito mal que faça à população o desconhecimento dos fatos, defende esse mesmo regime mantendo a harmonia e o status quo.
Por essa razão a censura é como um preservativo: Servem para ser profiláticos, não deixando de servir para nos f***r. Mas, segundo Murphy, se uma coisa tiver hipótese de correr mal, ela correrá mal, a coisa às vezes não resulta, e em vez de profilaxia vemo-nos confrontados com cuidados intensivos. A mentira, diz o povo, tem a perna curta. Nesse caso, há que encontrar um bom ortopedista.
in Lie to me, Bon Jovi
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